Myron Kosovskyy é um imigrante de 60 anos que está em Portugal há 11 anos,com Autorização de Residência válida até meados do próximo ano. È um dos imigrantes que tem contribuído com os seu trabalho e os seus descontos para a sustentabilidade da Segurança Social. Com a crise económica os imigrantes são vítimas do desemprego, a par de 700 mil portugueses (só pelos números dos inscritos nos centros de emprego).
Myron recebia o Rendimento Social de Inserção, mas este foi-lhe cortado a partir de Novembro por não respondeu no prazo de 10 dias úteis a uma carta da Segurança Social de 31.10.2012. A nossa associação encaminhou-o para o posto da Segurança Social a funcionar no Quartel da Paz, (Paróquia de S. José), onde o ajudaram a responder à Segurança Social, explicando que não respondeu atempadamente ao ofício devido a este ter ficado “embrulhado” no meio da publicidade que atulhava a caixa do correio. Sem dinheiro para pagar o quarto, Myron acabou a dormir na rua.
Fomos com ele à Segurança Social de Viseu falar com uma assistente social que nos disse o que já sabíamos: que o único Centro de Acolhimento Temporário da Segurança Social de Viseu, a funcionar na Caritas Paroquial de Santa Maria tinha os quartos todos esgotados. E mais nenhuma resposta foram capazes de accionar de imediato, deixando o pobre homem a dormir na rua, com temperaturas abaixo de zero, como a que fazia na noite em que, de surpresa, o fomos fotografar a dormir embrulhado num cobertor, num jardim, depois de nos chegarem testemunhos de vizinhos que nos alertaram para a situação. É a quarta vez que recorremos à Segurança Social sem obtermos resposta para “sem abrigo”. Duas delas, recentemente, com imigrantes de Leste que, depois de muitos anos de trabalho em Portugal, já só pedem que lhes paguem o bilhete de retorno para os seus países de origem. Como é possível que o Estado português trate assim os imigrantes que, segundo um estudo do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ver blogue do Núcleo de Viseu da OLHO VIVO em 6.01.2012), só em 2010 deram um lucro à Segurança Social de 316 milhões de euros?
Carlos Vieira e Castro