Instrumentistas de todo o mundo no Festival de Música da Primavera de Viseu

Abril 1, 2026 | Actualidade

Primavera é a estação de chegada a Viseu da linguagem universal que une os povos, a Música, ainda mais imprescindível numa altura em que o mundo se confronta com “guerras por ganância”, na expressão de José Perdigão, presidente da direcção da PROVISEU, a associação que tutela o Conservatório Regional de Música Dr. José de Azeredo Perdigão, organizadores do Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu. O viseense José de Azeredo Perdigão (1896-1993), patrono do conservatório, de quem se comemora, este ano, o 130.°aniversário do nascimento, ficou conhecido como presidente vitalício da Fundação Calouste Gulbenkian e foi “ele próprio uma espécie de Primavera na cultura em Portugal”, como bem observou Guilherme Gomes, assessor da Cultura no executivo municipal.

Entre 2 e 26 de Abril, a 19.ª edição do Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu, sob a direção de José Carlos Sousa, acolherá concertos, concurso de instrumentistas, masterclasses e concertos pedagógicos em todos os agrupamentos de escolas, com foco principal nos alunos do 4.º ano do 1.º ciclo, para além do Hospital de Viseu, lares de terceira idade, instituições de pessoas com deficiência e no Estabelecimento Prisional do Campo.

O programa completo pode ser visto na última página deste jornal e está disponível na página oficial do Festival. Os bilhetes variam entre os 3 e os 6 euros, valor considerado simbólico pelos organizadores do Festival que tem um orçamento de 180 mil euros e é financiado maioritariamente pela Câmara Municipal de Viseu (Eixo Cultura) com 100 mil euros, para além de contar com vários mecenas e apoios.

O Festival inclui o 7º Concurso Internacional de Guitarra de Viseu, bienal (alterna com o Concurso Internacional de Piano), o mais concorrido de sempre, segundo a sua directora. Paula Sobral anunciou a participação de 33 inscrições na categoria profissional, de países tão diversos como Grécia, Japão, França, Espanha, Coreia do Sul, Ucrânia, Polónia, EUA, Luxemburgo, Irão, Eslovénia, Áustria, Rússia, Cabo Verde, para além de Portugal. Pela primeira vez, há uma categoria juvenil (até aos 18 anos de idade) em que se inscreveram 15 concorrentes, a maioria de Portugal, mas também do Reino Unido, Espanha e Rússia. Nesta categoria as despesas são da responsabilidade dos participantes, o que explicará o seu número mais reduzido. Os prémios são atractivos: para o 1.º classificado, na categoria profissional, 7 mil euros, uma guitarra de concertodo luthier Cleyton Fernandes, modelo Concert, série Exclusive, também de 7 mil euros, um “Le Support” (suporte de perna) e actuações nos festivais internacionais de guitarra de Bratislava, Sevilha, Viseu e Fundão; o 2.º e o 3.º classificados recebem, respectivamente, 3 mil euros e 2 mil euros, e ainda cordas “Knobloch” e um “LeSupport Pro”. Na categoria juvenil, os prémios são de 1.500€, 1.000€ e 500€, para além do encordoamento “Knobloch” e o “Le Support Pro” para o 1.º classificado. Haverá ainda dois prémios de 500€, respectivamente, para o “melhor concorrente português” e outro para o preferido do público. As eliminatórias da categoria profissional acontecerão nos dias 8 e 9, no Museu Nacional Grão Vasco, e a final no Teatro Viriato, pelas 21 horas do dia 11. A eliminatória da categoria juvenil terá lugar no Conservatório de Música e a final na Igreja da Misericórdia, pelas 19 horas do dia 7.

O júri do concurso na categoria profissional, presidido por Paulo Vaz de Carvalho, será ainda composto por André Cardoso (Portugal), Martin Krajco (Eslováquia), Thomas Viloteau (França), Cleyton Fernandes (Brasil) e Goran Krivokapic´ (Montenegro). Na categoria juvenil, o júri será constituído por Pedro Rodrigues (presidente), Francisco Berény, Pedro Rufino, José Carlos Sousa e Martin Krajco.

Este concurso já é uma referência mundial, garantem os organizadores, graças ao seu nível de exigência e de execução muito elevado, para além de prémios de valor mais significativo do que outros que já granjearam fama internacional há mais tempo. De resto, como referiu Paula Sobral, estas sete edições são fruto de um trabalho e experiência que já vinha de 15 anos consecutivos do Concurso Internacional de Guitarra de Sernancelhe que dirigiu com José Carlos Sousa. De particular interesse terá o workshop (aberto a músicos e a todos os interessados) sobre instrumentos antigos da família da guitarra – um percurso histórico e prático pela evolução do instrumento, das violas de mão e alaúdes renascentistas à guitarra contemporânea, conduzido por Tiago Matias, investigador de música antiga e exímio instrumentista de tiorba e guitarra barroca. Quem o conhece do duo “Noa Noa”(com Filipe Faria, uma das vozes, com Sérgio Peixoto, do ensemble “Sete Lágrimas”) ou teve a felicidade de o ouvir no concerto que deu nos claustros do Museu Nacional Grão Vasco, em Junho de 2024, onde apresentou o seu disco “Fantasia” a primeira edição mundial exclusivamente composta por música contemporânea para tiorba solo, a si dedicada por 5 compositores portugueses, certamente não deixará de participar. A não perder também o seu concerto “Codex Gulbenkian” para guitarra barroca, na Igreja da Misericórdia, pelas 21 horas do dia 16.

Do vasto programa, destacaria ainda, a estreia de novas obras de José Carlos Sousa, Pedro Berardinelli e Carlos Lopes, pelo Sond’ar-te Electric Ensemble, dirigido por Guillaume Bourgogne, no dia 24, pelas 21h, no Clube de Viseu. E, no dia 8, no Museu Nacional Grão Vasco, o concerto de Goran Krivokapic, vencedor de 19 concursos internacionais de guitarra, incluindo o maior a nível mundial, o Guitar Foundation of America Competition.

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