Com mais de uma dezena de propostas que cruzam teatro, música, exposições, formação, poesia e cruzamentos disciplinares, a ACERT inicia a primeira temporada de 2026 (ano em que assinala 50 anos de existência) com uma programação que inclui ainda estreias absolutas, coproduções, espetáculos internacionais e projetos de criação própria. A programação é apresentada como “um manifesto artístico e afetivo, onde a memória de meio século se entrelaça com a vontade de continuar a surpreender, a questionar e a criar”.
O arranque das celebrações dos 50 anos da ACERT faz-se com um convite claro: habitar a cultura como território comum, partilhado, vivo. “Celebrar cinquenta anos é olhar para trás com orgulho e para a frente com coragem”, afirma a direção da coletividade que nasceu, cresceu, vive e trabalha em Tondela.
Neste novo ciclo, a associação entra “com os pés bem assentes” no presente, num chão que tem sido feito por milhares de pessoas que passaram por Tondela, em todas as formas de encontro, de criação e de partilha. “Esta é uma história de permanência e de transformação, feita de afetos, inquietações, trabalho e risco. E é também a história de uma comunidade que se revê e se recria num coletivo que nunca se deixou acomodar”, reconhece a direção.
Destaque ainda o regresso de artistas e companhias que mantêm uma relação cúmplice com a ACERT. São propostas que espelham a maturidade de percursos artísticos com raízes nesta casa e que agora se revelam em novas linguagens. Aconteceu já com Samuel Úria, a 16 de Janeiro, com um concerto que marcou o arranque das celebrações dos 50 anos da ACERT e em que apresentou o seu último trabalho “2000 A.D.”
Março abre com “Esperança Desmedida”, da Escola de Mulheres, que sobe ao palco no dia 7 de março, às 19h30. Uma peça com texto de Ilda Teixeira e dramaturgia e encenação de Ruy Malheiro, que cruza o mito com o real para refletir sobre migração, perda e resistência.
No mesmo dia, às 22h00, o Bar ACERT recebe “Ritmos de Vida”, um espetáculo de clown protagonizado por Andreia Moreira e Pina Polar, com música ao vivo de José Pedro Lima. Humor, circo e poesia encontram-se numa peça que aborda o envelhecimento e a morte com leveza e humanidade.
O REECONTRO COM CRIADORES
Alguns dos artistas presentes nesta temporada acompanham a ACERT há muitos anos. Regressam agora com novos projetos, reafirmando a importância dos vínculos construídos na partilha de processos, temas e territórios.
A abrir o mês de fevereiro, logo no dia 4, arranca a formação “Introdução à Produção de Áudio”, levada a cabo por Gustavo Dinis. Durante 10 sessões, às quartas-feiras, pelas 18h00, o produtor musical ficará encarregue de desenvolver esta oficina, destinada a jovens dos 14 aos 20 anos. Segue-se, no Novo Ciclo ACERT o encontro intimista «Na Casa” entre a música de João Lóio e a poesia de António Durães.
A 13 de fevereiro, às 21h30, com encenação de José C. Garcia e Sérgio Agostinho a Peripécia Teatro, sobe ao palco a criação “Loba”, que propõe uma viagem íntima e sensorial, entre a serra e a alma, onde o instinto se torna metáfora de resistência.
No dia 21, o Teatro Art’Imagem traz “Sussurros de Sombra”, a partir da obra de José Craveirinha. Com encenação de Daniela Pêgo, esta criação evoca a memória, a luta e a fraternidade num combate poético que atravessa corpos e palavras.
Já em março, Cláudia Andrade e Pedro Salvador apresentam “Todo o Cais é uma Saudade de Pedra”, no dia 21, às 21h30. Uma performance poética e musical que celebra a errância, a escuta e o poder da palavra, partindo de um verso de Fernando Pessoa para cruzar cais, memórias e afetos.
A 27 de março, às 10h30, Bruno dos Reis apresenta “Na Relva Esfola Menos”, no Estádio João Cardoso. Um espetáculo não convencional, para 21 espectadores-participantes, onde o teatro se cruza com o desporto e a memória, transformando o relvado num espaço de escuta e partilha.
CRIAÇÕES E MEMÓRIAS EM CENA
Neste ciclo comemorativo, também o Trigo Limpo teatro ACERT e outras estruturas de criação nacional recuperam peças com forte carga simbólica e social, devolvendo ao palco temas e estéticas que continuam a interpelar o presente. “Memória do Barro”; “O Mal de Ortov”, de Jaime Rocha, com interpretação de Philippe Araújo e produção da Musgo Produção Cultural; a estreia “LAVODENTE”, uma produção do Trigo Limpo teatro ACERT, são os espetáculos agendados para março.
Para os públicos mais este trimestre conta também com várias propostas pensadas para crianças, escolas e famílias, combinando qualidade artística com pertinência temática. Já do encontro com os artistas visuais, surgem duas exposições – “Do Amor à Erva” e “La confidence des pierres”, de Julia Dupont – que reforçam a ligação entre a criação contemporânea e o território.
A programação celebra também os rituais coletivos que dão identidade à ACERT e aproximam gerações. A noite de Carnaval chega com o “Bar Dançante”, e no dia 21 de março acontece “Mulheres em Concerto”, com Beatriz Almeida, Mariana Rebelo, Marta Lima e Masha Soeiro.
E porque há rituais que resistem ao tempo, o mês de março culmina com a Semana da Queima, de 30 de março a 3 de abril, e o emblemático Rebentamento do Judas, marcado para 4 de abril. Este ano cabe à banda “The Mortys” animar a noite. Uma banda que se estreou na rubrica de programação do Novo Ciclo ACERT “Santos da Casa” e que desde então tem celebrado o Rock n’Roll por onde passa.