Residência de Aristides Sousa Mendes com gestão tripartida

Janeiro 5, 2021 | Região

Classificada como Monumento Nacional, a Casa do Passal em Cabanas de Viriato, que foi residência do cônsul Aristides Sousa Mendes, vai ser gerida, já a partir do próximo verão, pelo Ministério da Cultura, através da Direcção Geral da Cultura do Centro, Município de Carregal do Sal e Fundação Aristides Sousa Mendes. O protocolo assinado entre as três entidades, em cerimónia presidida pela ministra da Cultura, Graça Fonseca, estabelece os princípios do modelo de gestão daquela que foi a residência de Aristides Sousa Mendes, o cônsul de Bordéus que passou vistos a mais de 20 milhões de pessoas durante a II Guerra Mundial.

O protocolo que define o modelo de gestão e manutenção da Casa do Passal, a partir do próximo verão, prevê para já um investimento de 300 mil euros por parte do Ministério da Cultura, com vista à instalação de um museu que testemunhará, às novas gerações, o que foi a vida e obra de Aristides Sousa Mendes.

Propriedade da Fundação Aristides Sousa Mendes, a Casa do Passal é um espaço de grande relevância cultural, social e histórica do país, e detém um significado profundamente humanista. Não só por ter sido residência do cônsul, mas também por ter acolhido muitos dos refugiados salvos pelo diplomata.

Através do documento agora assinado, as três entidades parceiras ficaram a conhecer os princípios de uma parceria passará a vigorar logo após após a finalização das obras de requalificação e musealização da Casa do Passal.

Nascido em 19 de julho de 1885, Aristides de Sousa Mendes, no início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mais precisamente a partir de 1940, desempenhava as funções de cônsul em Bordéus (sudoeste de França), tendo concedido cerca de 30 mil vistos para salvar a vida de refugiados do nazismo, a maioria judeus, contra as ordens expressas do governo do Estado Novo, liderado por António de Oliveira Salazar.

Obrigado a voltar a Portugal, Sousa Mendes foi demitido do cargo e ficou na miséria, com a sua numerosa família. Morreu na pobreza em 3 de abril de 1954, no Hospital dos Franciscanos, em Lisboa.

Em 1966, foi reconhecido pelo instituto Yad Vashem, memorial dos mártires e heróis do Holocausto, como um “Justo entre as Nações” e, em 1998, foi condecorado a título póstumo com a Cruz de Mérito pela República Portuguesa, pelas suas acções em Bordéus.