Repúdio e indignação em Aguiar da Beira pela saída do helicóptero do INEM

Outubro 1, 2012 | Região

Um ano e meio depois de ter acolhido o helicóptero do INEM (Instituto Nacional de Emergência  Médica), então estacionado em Santa Comba Dão, o concelho de Aguiar da Beira não se conforma agora com a saída deste meio de socorro para Loures, já a partir do próximo dia 1 de Outubro. Em Moção aprovada por unanimidade, a Câmara Municipal manifesta “repúdio e indignação” por um acto que “tanto penaliza o interior”, ao mesmo tempo que denuncia a falta de respostas em relação à reabertura do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde local, e ao pagamento dos mais de 375 mil euros investidos na requalificação da pista.

A Moção, aprovada por unanimidade em reunião do executivo 19 de Setembro, lamenta que a Câmara de Aguiar da Beira tenha apenas tomado conhecimento daquela decisão pela comunicação social, nomeadamente as notícias de que a emergência médica passaria a ser assegurada pelo «Kamov» sediado em Santa Comba Dão. “Quando tanto se fala na necessidade de redução de custos, é de lamentar que não se tenha em conta todo o desperdício que aqui está em causa, já que este serviço (a permanência do helicóptero do INEM) “para mais nada serve, caso seja retirado de Aguiar da Beira”.

No mesmo documento, o executivo de Aguiar da Beira recorda as sucessivas reuniões, todas elas ainda sem resposta, mantidas entre o presidente da autarquia, Fernando Aguiar, presidente da ARS Centro e a representante do INEM, para além de se terem revelado infrutíferos os contactos diários para agendamento de uma reunião com o secretário de Estado da Saúde.

Em causa está, segundo o documento aprovado, não apenas a obtenção de garantias quanto à reabertura do SAP, um serviço encerrado logo após a instalação do helicóptero, mas também quanto ao ressarcimento de um investimento de mais de 375 mil euros, exclusivamente suportado pelos cofres do Município, na requalificação da pista, que incluiu a construção de um hangar, e instalação da tripulação e respectivas equipas médicas, o que obrigou ainda à requalificação da casa do quarteleiro dos Bombeiros de Aguiar da Beira. “Todas estas obras foram suportadas pelo Município de Aguiar da Beira, apesar dos mais variados contactos, feitos pelo senhor Presidente da Câmara, para que houvesse algum apoio estatal”, recorda ainda a Moção.

Considerando que o concelho de Aguiar da Beira foi mais uma vez penalizado com a perda de um serviço – “e sendo um serviço directamente ligado ao socorro de pessoas mais grave se torna” -, a Moção conclui ainda que a população, não só de Aguiar da Beira mas de toda uma região, está “à beira de ficar mais desprotegida e esquecida que nunca.”

O documento aprovado foi enviado para a presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Ministério da Saúde, secretaria de Estado da Saúde, Ministério da Administração Interna, INEM, e Assembleia Municipal de Aguiar da Beira.

 

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