Governo garante requalificação do IP3 já este ano

Janeiro 31, 2018 | Região

2018 arrancou sob o signo do IP3. Os autarcas da região, particularmente de Viseu, Tondela, e Coimbra, exigem, de uma vez por todas, a construção de uma nova ligação em perfil de autoestrada entre os três municípios. Sem delongas. Ao mesmo tempo, defendem a realização imediata de obras de requalificação no Itinerário Principal 3, já conhecido como estrada da morte, para que se ponha fim ao suplício dos milhares de automobilistas que por ali circulam todos os dias. A resposta da tutela chegou pronta através da adjudicação de uma intervenção no IP3, incluindo nos taludes, que custará cerca de 2,5 milhões de euros e poderá estar em execução ainda no ano em curso.

A ocorrência de três graves acidentes de viação durante a quadra natalícia, no troço do IP3 entre Canas de Santa Maria / Valverde e Tondela, poderá ter sido a causa próxima para o espoletar de posições rápidas e sintonizadas dos autarcas de Tondela, Viseu e Coimbra contra o estado de abandono a que dizem ter sido votado o IP3. O autarca tondelense, José António Jesus, fez aprovar uma moção no Município que dirige a pedir a requalificação da via, nomeadamente nos cerca de 72 quilómetros que ligam Viseu a Coimbra, como forma de acabar com os “muitos pontos negros” localizados ao longo do seu percurso. Nomeadamente no seu concelho. A moção foi aprovada por unanimidade.

A 17 de Janeiro, sucederam-se novas posições. As câmaras de Viseu e Coimbra avançaram, em conjunto, com uma proposta de acção através da qual se exige a ligação em perfil de autoestrada entre as duas capitais de distrito. No documento, Almeida Henriques e Manuel Machado prometem exercer “pressão conjunta” para, de uma vez por todas e em definitivo, se clarificar o arranque e a concretização da autoestrada. No mesmo documento pedem ao ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, “um prazo curto e razoável” para obras de requalificação no IP3.

Os autarcas de Viseu e Coimbra apontam como justificação para a exigência comum da futura autoestrada que irá substituir o IP3, o facto de a sua inexistência promover “desequilíbrios regionais e pôr em causa a coesão da região, penalizando o seu desenvolvimento. Os autarcas denunciam a que designam de “discriminação negativa para com a região” ao ignorar-se aquela que consideram ser “uma prioridade para a região e para o país”. Mas não só. “É um desrespeito pelas vítimas daquela estrada e o negar de justas condições de desenvolvimento às populações, empresas e turistas, prejudicados pelo constante adiamento de uma decisão”, denunciam.

A indefinição que tem rodeado um eixo estruturante para o país e para a região como é o IP3, levou à sua degradação acelerada. Ao ponto de ser hoje classificada por muitos como “estrada da morte”, tantos os acidentes que nele ocorrem. “Por isso, mesmo que inadmissivelmente se adie a ligação em perfil de autoestrada, é criminoso que se adiem as obras de requalificação desta via”, defendem os autarcas.

Se em relação às obras de requalificação o processo estará já em marcha, o mesmo não acontece ainda com a construção de uma nova autoestrada para substituir o actual IP3. A falar em Coimbra, em meados do mês, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, declarou que uma nova ligação rodoviária, que considerou “prioritária”, avançará logo que estejam concluídos os estudos em curso “mais a norte ou mais a sul”, bem como outros relativos ao impacto ambiental, económico e de captação de tráfego. O membro do Governo mostrou-se surpreendido ao afirmar que “esperava que esse tipo de estudos, pelo menos, já tivesse sido feito há muito tempo”, e esclareceu que no presente quadro comunitário “a disponibilidade em Bruxelas para a questão dos investimentos rodoviários é muito limitada”. Razão pela qual a futura construção de uma autoestrada possa vir a ser assumida na totalidade pelo Estado português, com um eventual recurso a investimentos privados.

Pelo sim pelo não, os autarcas da região aproveitaram para convidar o ministro Pedro Marques e fazer com eles uma viagem no IP3. Defendem a necessidade de um “contacto directo” com a situação da via, para que o membro do Governo possa aquilatar, “in-loco”, a sua crescente degradação.

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