Almeida Henriques promete lutar contra “centralismo doentio do país”

Novembro 8, 2017 | Política

Reeleito por maioria absoluta para um novo mandato à frente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques avança com propósitos renovados. Um deles é o de continuar a fazer da cidade região “um território-farol no país que vire do avesso o mito da interioridade” e outro assumir-se como “uma voz influente e conectada com o país e o mundo”. O autarca acredita no poder local. Muito mais na sequência das tragédias que têm assolado o centro norte do país e que vieram confirmar “o valor do insubstituível poder da proximidade”. No entanto, a realidade tem vindo, segundo Almeida Henriques, a contrariar aquele que é um desígnio nacional: a prometida descentralização “posta pelo governo em banho-maria”.

Almeida Henriques denuncia o “centralismo esclerosado e palaciano, inoperante e paralisante, incapaz de se reformar, mas sôfrego de poderes e de recursos”. Algo que acentua a tendência “de um país demograficamente em plano inclinado para o litoral (…) e politicamente em plano inclinado para a capital”. A provar a crítica, o autarca dá conta daquele que considera ser “o mais duro golpe de centralização dos 30 anos de história dos fundos comunitários”: a centralização em Lisboa, na Agência para o Desenvolvimento e a Coesão, dos funcionários das CCDR (Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional) que fazem a gestão dos fundos comunitários nos últimos 20 anos.

O autarca viseense considera que esta medida enfraquece mais as CCDR e abrem a porta ao desaparecimento dos programas operacionais regionais no ciclo de fundos comunitários pós-2020. E interroga: “Que outro sentido terá este êxodo forçado de quadros especializados para a capital? Que outro significado tem o silêncio do Governo perante as nossas suspeitas?”. Almeida Henriques considera que face à gestão ainda mais centralizada dos fundos estruturais, importa que o Governo “venha clarificar de imediato o que pretende afinal fazer com os fundos regionais e com as CCDR”.

Na sequência da “confiança renovada e reforçada” que recebeu dos viseenses, Almeida Henriques parte para os próximos quatros anos com um projecto de desenvolvimento de Viseu para uma década, plasmada na estratégia e no projecto «Viseu Primeiro». Um plano municipal com quatro coordenadas: qualidade de vida das famílias, economia e emprego, revitalização do centro histórico, e descentralização.

Orgulhosa do passado histórico, e exigente e ambiciosa quanto ao futuro da cidade região, a nova equipa municipal promete trabalhar em várias frentes para consolidar um desenvolvimento sustentado. Duas grandes causas regionais são apontadas por Almeida Henriques: a água e a floresta. Para uma e outra área, o autarca tem propostas que pretende pôr em prática. No primeiro caso a solução passa pelo reforço da capacidade de armazenamento de água na albufeira de Fagilde e pela construção da nova barragem da Maeira no Rio Vouga; e a prioridade e urgência do reordenamento florestal e do reforço dos meios de prevenção e combate dos incêndios florestais.

O presidente da Câmara de Viseu promete não baixar os braços na afirmação e na defesa das suas causas. Uma delas, a nova ligação rodoviária em perfil de autoestrada Viseu/Coimbra e a reabilitação do IP3. E promete não se calar “sempre que se atirar para debaixo do tapete a importância vital do eixo Aveiro / Viseu / Salamanca para o sistema ferroviário nacional e para a mobilidade económica do centro norte industrial e exportador”.

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