Ventiladores dos Politécnicos de Viseu e Leiria à espera de Certificação

Abril 6, 2020 | Educação

O ministro da Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor, esteve em Viseu para conhecer, in loco, dois protótipos de ventiladores, um pneumático e outro eléctrico, que os Institutos Politécnicos de Viseu e Leiria estão a desenvolver com a colaboração de uma rede de Politécnicos e empresas de todo o país. Objectivo, “dar resposta à escassez destes equipamentos” no combate à pandemia do COVID-19.

Segundo o presidente do Politécnico de Viseu, João Monney Paiva, os protótipos, “que poderão ser agora fabricados em série depois de obtido o necessário licenciamento”, foram desenvolvidos no curto espaço de uma semana. A partir do momento que ele próprio lançou este desafio aos intervenientes no projecto, foi possível mobilizar uma equipa de cerca de 15 a 20 pessoas dos Politécnicos e Viseu e Leiria.

O projecto foi desenvolvido com base num modelo de acesso livre disponibilizado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), e sempre com o acompanhamento de médicos. Um protótipo de ventiladores de emergência é baseado num motor eléctrico e o outro funciona com ar comprimido pneumático. João Monney Paiva adiantou ainda que está ainda a ser desenvolvido um terceiro sistema.

“Pensámos no que seria possível fazer para ajudar as pessoas. Esperemos que nada disto seja necessário, mas, caso seja, que ajude a não passar por situações de falta de recursos e de se ter que escolher em que doente se aplicam”, sublinhou aos jornalistas o presidente do IPV na apresentação dos protótipos.

Resta agora, segundo o responsável, que as empresas se mostrem interessadas em avançar com um processo de certificação junto do Infarmed e com disponibilidade de fabricar os ventiladores em série. “Queremos sensibilizar o Infarmed para que possibilite uma análise mais expedita e, se virem que este equipamento é crítico, que façam uma avaliação mais rápida”, salientou o responsável.

Para isso, a equipa disponibilizou o email (emergencyventilatorpt@gmail.com) às empresas e instituições que pretendam envolver-se e ajudar no projecto. “Seja na melhoria dos protótipos, seja no fornecimento de componentes e equipamentos que serão necessários na sua produção em série, como por exemplo células de oxigénio”, concluiu João Monney Paiva.

Para além de Viseu e Leiria, a rede abrange ainda os politécnicos de Beja, Bragança, Cávado e Ave, Guarda, Lisboa, Tomar e Viana do Castelo. Todos eles disponíveis em colaborar, nomeadamente com máquinas usadas em contexto de aulas ou de investigação para apoiar na produção dos ventiladores.

O presidente do Politécnico de Viseu aproveitou a presença do ministro da Ciência e do Ensino Superior para sensibilizar o membro do Governo a estabelecer contactos que possibilitem as “cooperações possíveis”. Até porque, alertou, para além do processo de licenciamento “há ainda que ultrapassar eventuais problemas que poderão advir da falta de componentes”.

No Politécnico de Viseu, Manuel Heitor assistiu ainda ao fabrico em 3D de viseiras de protecção, fabricadas por estudantes e antigos estudantes deste estabelecimento de ensino.

Em declarações aos jornalistas, o governante reconheceu “o esforço notável” do de alunos, ex-alunos e docentes do Politécnico de Viseu. Não só em relação aos dois protótipos de ventiladores, mas também no fabrico de viseiras de protecção, através do recurso a impressoras 3D, e na adaptação de máscaras de mergulho, a pedido do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, para serem usadas nos doentes ligados a ventiladores.