Centro de Portugal e Castela e Leão com projecto de promoção comum

Fevereiro 29, 2020 | Economia

O Centro de Portugal e Castela e Leão vão intensificar a sua cooperação transfronteiriça ao nível do turismo. As duas regiões vizinhas, uma em Portugal e outra em Espanha, irão promover-se como um só destino em feiras e eventos internacionais. Este avanço, numa relação que já era próxima, ficou decidido durante uma reunião de trabalho, em Valladolid, entre as entidades que coordenam a atividade turística nos dois territórios.

A reunião sentou à mesma mesa Estrella Torrecilla Crespo, diretora geral de Turismo da Junta de Castela e Leão, e Pedro Machado, presidente da Agência Regional de Promoção Turística Centro de Portugal (ARPTCP) e da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal, além de diretores e técnicos destes organismos e da Fundação Siglo para o Turismo e as Artes de Castela e Leão.

Na reunião, foram abordados os projetos de promoção conjunta de produtos turísticos já em vigor entre Centro de Portugal, Castela e Leão e a Extremadura espanhola, tendo sido destacadas algumas ações realizadas, como a participação conjunta da Eurorregião EUROACE (Centro de Portugal, Alentejo e Extremadura) em iniciativas promocionais, em Bruxelas e em Xangai.

Apresentaram-se também os projetos transfronteiriços que já estão a decorrer, no âmbito dos programas europeus RESOE – Macro Região do Sudoeste Europeu (Centro de Portugal, Porto e Norte, Castela e Leão, Galiza, Astúrias e Cantábria), Rede de Cidades Cencyl (Aveiro, Figueira da Foz, Coimbra, Viseu, Guarda, Ciudad Rodrigo, Salamanca e Valladolid), CRECEER (cooperação empresarial em ambientes transfronteiriços rurais, que junta Centro de Portugal, Porto e Norte, e Castela e Leão) e NAPOCTEP (Rotas Napoleónicas no Centro de Portugal e Castela e Leão).

Estrella Torrecilla Crespo propôs avançar-se com um projeto no âmbito do SUDOE, programa de cooperação territorial do espaço sudoeste europeu, que envolva cinco regiões: Centro de Portugal, Porto e Norte, Alentejo, Castela e Leão e Extremadura. O objetivo será a promoção conjunta de três produtos turísticos fundamentais para estes territórios, nomeadamente o Vinho, a Gastronomia e o Património da Humanidade classificado da UNESCO.

A proposta foi acolhida com entusiasmo por Pedro Machado, que lembrou que o Vinho e o Enoturismo foram considerados como uma prioridade para Portugal em 2020. Da mesma forma, ambos os dirigentes sublinharam a vantagem de se promover um destino que, em conjunto, reúne “28 patrimónios UNESCO”.

Em cima da mesa ficou também a possibilidade de se incluir neste projeto a formação e qualificação de recursos humanos, em especial nas áreas da gastronomia e enoturismo, uma vez que a falta de recursos humanos qualificados é uma lacuna comum a ambos os países.

A próxima reunião deste projeto, com todas as entidades envolvidas, vai acontecer durante a Bolsa de Turismo de Lisboa, em março.

“A mensagem que fica de uma reunião tão produtiva é a de que é muito importante trabalhar as regiões Centro de Portugal e Castela e Leão como um só destino, onde não haja fronteiras. Estamos a dar passos sustentados nesse caminho. Esta reunião abriu as portas a novas possibilidades de promoção mútua”, destaca Pedro Machado.

 

MAIS DE 7 MILHÕES DE DORMIDAS DE TURISTAS EM 2019

Foi o melhor ano de sempre para a atividade turística no Centro de Portugal. Os resultados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), comprovam que o ano passado foi o melhor de sempre para o Centro de Portugal nos principais indicadores: dormidas, hóspedes e proveitos.

No indicador do número total de hóspedes, entre janeiro e dezembro de 2019, o Centro de Portugal recebeu 4.124.057 hóspedes, que tinham sido 3.895.612 no mesmo período de 2018. Ou seja, num ano a região foi visitada por mais 228.445 hóspedes – uma subida de 5,9%.

Se se comparar o número de hóspedes num período de cinco anos, entre 2015 e 2019, verifica-se um crescimento de 43,2%, de 2.879.206 para 4.124.057, o que demonstra o grande interesse que a região despertou nos anos mais recentes. Acresce que os números revelados pecam por defeito, uma vez que os dados preliminares do INE são, normalmente, revistos em alta numa fase posterior.

“Estes números promissores devem-se, acima de tudo, ao grande esforço dos empresários da região, que todos os dias encontram novas formas de ultrapassar os múltiplos desafios que enfrentam, apresentando novos produtos turísticos e melhorando os já existentes. Estão também de parabéns a equipa da Entidade Regional de Turismo, as autarquias e as comunidades intermunicipais, que em conjunto descobrem novas formas de aumentar a atratividade do Centro de Portugal”, destaca Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal e da Agência Regional de Promoção Turística Centro de Portugal.

Os números positivos da região comprovam-se igualmente no indicador de dormidas. No total, as dormidas de visitantes somaram 7.102.061, segundo estes resultados preliminares. Um resultado nunca antes alcançado pela região e que suplanta em 4,8% as 6.777.827 dormidas de 2018. Em cinco anos, o total de dormidas subiu 40,4%: em 2015 tinham sido 5.058.446.

Este grande acréscimo de dormidas em 2019 na região deve-se, na maioria, ao aumento das dormidas dos visitantes de dentro do país. Estas subiram de forma expressiva: tinham sido 3.776.969 dormidas de residentes em 2018; os números preliminares de 2019 apontam para 4.000.496 – pela primeira vez, os visitantes nacionais foram responsáveis por mais de 4 milhões de dormidas. Uma subida de 5,9%, que mostra que o território do Centro de Portugal atrai cada vez mais visitantes de outras regiões do país. Analisando um período de cinco anos, verifica-se que em 2015 tinham sido 2.966.945 dormidas: um aumento de 34,8% em apenas cinco anos.

Paralelamente, as dormidas de visitantes de fora do país continuaram também a subir. Em 2018, tinha-se registado um total de 3.000.858 dormidas de visitantes oriundos de fora de Portugal; em 2019, os números preliminares são de 3.101.565: mais 3,4%. Em cinco anos, este total subiu 48,3%, uma vez que em 2015 as dormidas de estrangeiros tinham somado 2.091.501.

Um indicador também importante é o que se refere aos proveitos totais nos estabelecimentos de alojamento turístico, que foram extremamente positivos para os empresários. Em 2018, o Centro de Portugal tinha registado proveitos globais de 332,8 milhões de euros; em 2019, estes valores (ainda preliminares) subiram para 355,1 milhões, num crescimento de 6,7%. O rendimento médio por quarto ocupado também subiu, de 63,1 para 64,1 euros. Em 2015, os proveitos tinham somado 222,5 milhões de euros: foram mais 132,6 milhões de euros em cinco anos, ou uma subida de 59,6%, dado muito animador para os empresários que investem no turismo da região.