Auditoria revela passivo de 80 milhões na Câmara de Lamego

Outubro 12, 2018 | Economia

O passivo do Município de Lamego ascendeu a 79 milhões e 481 mil euros, em outubro de 2017, indica o relatório da auditoria externa efetuada pela empresa KPMG, às contas da autarquia e que foi apresentado em reunião de câmara e em sessão da Assembleia Municipal durante esta semana. O aumento da dívida resultou, sobretudo, do processo de internalização da empresa “Lamego Renova”, em 2016, que registava um passivo de 81 milhões e da internalização da empresa “Lamego ConVida” que apresentava um passivo de 62 milhões de euros.

“A situação real é grave. Esta análise confirma que a coligação “Todos Juntos por Lamego”, suportada pelo PSD e CDS/PP e que governou a Câmara Municipal de Lamego durante 12 anos, constituiu uma gestão errática e irresponsável, desbaratando recursos públicos de forma pouco transparente, pondo em causa a sustentabilidade financeira do Município”, destaca o Presidente Ângelo Moura, acrescentando que esta auditoria externa representa o cumprimento de uma promessa eleitoral firmada pelo atual executivo.

A auditoria efetuada pela empresa KPMG teve como objetivos fundamentais realizar uma análise rigorosa e factual da evolução da situação financeira, desde janeiro de 2014 a outubro de 2017. O documento refere uma gestão orçamental desequilibrada. Detalha ainda as despesas de representação realizadas naquele período, em termos de artigos de oferta, deslocações, estadias e ajudas de custo. Na área da contratação pública, destaca, em 2016, o facto de 43 por cento da faturação ter data anterior à data do cabimento registado, chegando a registar-se um desfasamento de 139 dias.

A juntar a isto, identifica despesas no valor de 186 mil e 903 euros, sem que tivesse ocorrido qualquer nota de encomenda ou requisição externa devidamente autorizada. “Estes factos vão de encontro àquilo que sempre afirmei durante os últimos anos, como líder da bancada socialista na Assembleia Municipal”, defende Ângelo Moura.

O Município de Lamego vai remeter agora o relatório da auditoria externa para as entidades competentes, nomeadamente o Tribunal de Contas, a Inspeção-Geral de Finanças e o Ministério Público.

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