18 concertos à distância de um click no Festival da Primavera de Viseu

Novembro 30, 2020 | Cultura

Até 19 de dezembro, Viseu acolhe 18 concertos, que envolvem cerca de 400 músicos em vários espaços da cidade, mas sem público presencial. É o Festival Internacional da Primavera de Viseu, evento organizado pela Proviseu / Conservatório Regional de Música Dr. José de Azeredo Perdigão e pelo Município. Com realização habitual na primavera, teve de ser adiado e reinventado devido à pandemia, com os concertos a serem transmitidos este ano via live streaming na página do Facebook do festival.

“Desistir não era uma opção”, justificou aos jornalistas o director artístico do Conservatório Regional de Música de Viseu, José Carlos Sousa, para quem o formato encontrado vai permitir que cada casa se transforme numa plateia online, aproximando ainda mais o festival – a cumprir a 13.ª edição – de “um público que nos tem acompanhado ao longo de todos estes anos, sempre com casas cheias e concertos esgotados”.

No ano que a cidade dedica ao Cinema e à Fotografia, coube à Orquestra Juvenil de Viseu abrir o festival, a 28 de novembro, num concerto que recriou músicas de bandas sonoras que marcaram alguns filmes, todas elas comentadas pelo apresentador televisivo Mário Augusto.

Para os dias 12 e 19 de dezembro, estão programados dois concertos com a temática do Natal. Um a cargo da Orquestra Filarmonia das Beiras e das solistas Isabel Alcobia e Cláudia Franco e outro da Orquestra XXI. No dia 18, a Orquestra do Atlântico, com sete solistas nacionais e internacionais, irá apresentar música de Joaquim Rodrigo para guitarra e orquestra.

Com a música de Câmara, como pano de fundo, a programação inclui ainda música contemporânea e música antiga, reunindo, músicos de renome mundial, de diferentes nacionalidades, assim como virtuosos jovens músicos, em vários palcos da cidade como o Teatro Viriato, o Museu Nacional de Grão Vasco, a Aula Magna do Instituto Politécnico, o Pavilhão Multiusos, a Igreja da Misericórdia e o Conservatório Regional de Música. Há ainda masterclasses com a presença de professores nacionais e internacionais.

A reprogramação operada no festival deste ano obrigou ao cancelamento e reconfiguração de alguns dos concertos que já estavam assegurados antes de eclodir a pandemia e, por via disso, a encontrar alternativas que melhor se adaptassem às condições se segurança agora exigidas. “Foi o caso de cinco ou seis concertos que traziam músicos do Canadá, da China e da Coreia e que tivemos que cancelar por precaução porque, em abril, tudo ficou muito complicado”, sublinhou José Carlos Sousa, na apresentação do festival.

Repensada foi também a presença das orquestras no festival em função do número de coristas e executantes. O que inviabilizou, por exemplo, não só a tão emblemática «Nona Sinfonia de Beethoven», como também a realização dos concertos pedagógicos que habitualmente levavam o festival a escolas, hospitais, lares de idosos e prisão. Em alternativa, as opções encontradas incidiram mais em artistas portugueses ou residentes em Portugal, apesar de também estarem representados países como Espanha, Grécia, Croácia, Argentina, Cuba, Polónia e Roménia.

Em “estreia mundial” vão ser apresentadas nesta edição, quatro obras para marimba e electrónica de outros tantos autores portugueses: Ângelo Lopes e Pedro Rebelo, do Porto, e Cândido Lima e José Carlos Sousa de Viseu. O bailarino Romulus Neagu e o músico André Cardoso (ambos de Viseu) completam o elenco de orquestras e solistas de renome nacional e internacional.

Apesar de chegar no inverno e com a perspectiva de ser o “mais abrangente de sempre”, o Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu surge este ano “mais pujante e colorido do que nunca”, reconhece o presidente da Câmara Municipal, Almeida Henriques, que realçou a “qualidade do programa e a sua forte preocupação pedagógica”.

Para o Município, sublinha a propósito Almeida Henriques, “seria mais cómodo, em tempo de pandemia, cancelar toda a programação cultural e os apoios atribuídos. Mas isso representaria um recuo de três ou quatro anos no esforço que o Município e os agentes culturais têm vindo a emprestar a esta causa ao longo dos últimos anos”, concluiu o autarca.