Centro preserva epopeia dos judeus de Vila Cova em Vila Nova de Paiva

Março 26, 2017 | Actualidade

Foi inaugurado em Vila Cova à Coelheira, no concelho de Vila Nova de Paiva, o Centro da Memória Judaica. A Unidade, que integra a Rede de Judiarias de Portugal, recorre a um vasto espólio de objectos ligados a esta comunidade, para manter viva a memória da presença de judeus no seu território. “É um dia histórico”, assim o classificou José Morgado Ribeiro, presidente do Município, para quem a inauguração do Centro da Memória Judaica será uma “mais valia para promover o turismo cultural e religioso” no seu concelho.

“Temos aqui uma oportunidade de nos mostrarmos ao mundo”, enfatizou o autarca de Vila Nova de Paiva, que conta, a partir de agora, com “a audácia”de todos os intervenientes, para que o Centro da Memória Judaica ajude a cumprir o desígnio da Rede de Judiarias de Portugal que integra como membro de pleno direito, no contexto dos 14 Municípios que a constituem.

A inauguração aconteceu no Dia do Município de Vila Nova de Paiva. E contou, entre outros, com a presença de Celeste Amaro, directora regional da Cultura do Centro, e de Marco Batista, representante da Rede de Judiarias de Portugal. O Centro da Memória Judaica de Vila Cova à Coelheira “é uma peça do puzzle das Rotas Serafad, um projecto que vai desde Bragança até Reguengos de Monsaraz”, sublinhou Marco Batista.

No catálogo do Centro da Memória Judaica, de Vila Cova à Coelheira, o presidente do Município considerou este equipamento com um dos vários bens culturais que contribuirá para a promoção turística do concelho. “Aqui, através de uma aprofundada investigação, procuramos desvendar mistérios e revelar uma verdade histórica que contribua para a criação de uma verdadeira identidade e valorização da memória Judaica”.

José Morgado Ribeiro sustenta que o Centro da Memória Judaica passará a ser, a partir de agora, “o centro da descoberta da memória de uma comunidade, mas também o local de partida para a descoberta das diversas histórias que fizeram Vila Cova à Coelheira”.

A recuperação do edifício onde está instalado o Centro da Memória Judaica  implicou um investimento de 178 mil euros parcialmente financiados pelo Programa de Desenvolvimento Rural. Acrescem mais 47 mil euros gastos na preparação de conteúdos a cargo da empresa Glorybox. Este financiamento foi obtido junto da EEA Grants , organismo que integra os Estados Membros da União Europeia e Islândia, Listenstaine e Noruega. E contou com a parceria da Rede de Judiarias do Turismo do Centro e da Secretaria de Estado da Cultura.

O conteúdo do Centro inclui, basicamente, imagens, textos e vídeos que reportam os principais símbolos do judaísmo. E narram os tempos da inquisição e aspectos da vida da família Castro, Crasto ou Chacon, como eram conhecidos, que em segredo praticava o judaísmo. Uma família judia de origem portuguesa que se espalhou pelo mundo. “Ainda hoje continuam a usar o apelido e a manter a sua ligação histórica ao nosso país”.

Presente na cerimónia da inauguração, a directora regional da Cultura do Centro, Celeste Amaro, regozijou-se com a abertura do Centro da Memória Judaica de Vila Cova à Coelheira. E sublinhou a importância do projecto “Rotas de Serafad”para o nosso país. A responsável espera que o encontro em que serão apresentadas as 14 rotas portuguesas, em Outubro próximo, no Centro Cultural de Belém, possa assumir-se como um “evento nacional”.

O Dia do Município em Vila Nova de Paiva ficou ainda assinalado, como sucede todos os anos, pela entrega de medalhas aos funcionários com 15, 20 e 30 anos de serviço, algumas a título póstumo.

 

 

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