Achado arqueológico revela origem do nome de Viseu

Janeiro 2, 2018 | Actualidade

Quase uma década depois de ter sido encontrado numa escavação arqueológica aquando das obras de instalação do funicular, o altar de pedra da era romana  - a Ara «Vissaium» – que revela a origem do nome da cidade de Viseu pode agora ser visitado no átrio dos Paços do Concelho, a par da publicação «Viseu – o Fio da História».

“É um belo presente de Natal para os viseenses e para todos quantos gostam de património e história”, considera o presidente da Câmara, Almeida Henriques. “Queremos fazer um resgate do nosso património histórico e esta devolução à cidade tem um grande significado”, afirma. “Não era compreensível que esta peça, pelo seu singular valor simbólico, continuasse fechada num armazém.”

A história do achado remonta a 2009 quando é encontrada uma “ara” romana na travessa da Misericórdia, bem perto da Sé de Viseu, no âmbito de uma escavação integrada nas obras do Programa POLIS, conduzida pelo arqueólogo Pedro Sobral e pela empresa Arqueohoje. Essa “ara”, de granito e com a forma de prisma, típica da era romana, data do século  I d.C. e constitui um altar na qual se lê uma dedicatória aos deuses locais.

“Trata-se de um documento e de um monumento únicos”, justifica o vereador da Cultura e do Património, Jorge Sobrado. “Através deste documento, conseguiu-se trazer luz ao mistério que sempre envolveu a origem do nome da cidade de Viseu. O nome mais antigo, alguma vez descoberto, é Vissaium”, explica.

A inscrição da ara, em latim, está intacta e é totalmente percetível. A sua tradução diz: “Às deusas e deuses vissaieigenses. Albino, filho de Quéreas, cumpriu o voto de bom grado e merecidamente” Com esta dedicatória, Albino, uma personalidade da época, materializa o cumprimento do voto feito às divindades de lhes erguer um altar. E ao dedicar a mensagem aos “deuses vissaieigenses”, percebe-se que “vissaieigenses” deriva de Vissaium, o nome da cidade naquela época.

Segundo os estudos de epigrafia entretanto realizados, o nome de Viseu evoluiu assim de Vissaium para Visseu e Viseo e, finalmente, à designação atual. Também o estudo da geografia política romana na Península e de outros achados arqueológicos, revela que Viseu terá sido capital de um vasto território. Presume-se que o local onde foi encontrada a “ara” teria sido, naquela época, um fórum romano.

 

MUSEU DE HISTÓRIA DA CIDADE NA CASA DAS MEMÓRIAS

O Município de Viseu acredita que a Ara Vissaium irá contribuir, também, para a promoção do turismo em Viseu, tendo a intenção de integrar a peça já na primeira fase do Museu de História da Cidade, que irá ser concretizado, no atual ciclo autárquico, na Casa das Memórias (antiga Papelaria Dias) na Rua Direita.

“Esta será apenas a ponta do icebergue, uma vez que há ainda mais achados para descobrir e que se encontram atualmente guardados em caixotes, e para os quais será criado um depósito temporário que, mais tarde, evoluirá para uma reserva arqueológica municipal”, salienta o vereador Jorge Sobrado.

Almeida Henriques garante que já está “inscrita” para os próximos quatro anos a criação do Museu de História da Cidade, adiantando que dentro de um ano, na antiga Papelaria Dias, será feita a primeira exposição com duas peças em permanência: a Ara Vissaium e um dos Forais da Cidade.

Já a publicação «Viseu – O Fio da História», que surgiu de um desafio lançado para a Bolsa Turismo de Lisboa de criar um guia de leitura fácil sobre a história do concelho “pretende ser um tributo aos 2.500 anos de Viseu” e, ao mesmo tempo, mais um instrumento pedagógico para os alunos de todos os estabelecimentos de ensino.

 

 

 

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